Menina


 Menina frágil, desconcertada, peculiar. Não sabia se, por estar sozinha, havia escolhido o caminho errado ou se na verdade era a única a seguir pela estrada correta. Tinha sonhos que ultrapassavam as nuvens. Uma vida a ser vivida, mas não sabia como começar a vivê-la. Lhe faltava quem a sacudisse e despertasse dentro dela a vontade de viver. 
 Se perdeu nas horas, nos minutos e segundos. Os dias envelheceram. A menina também. E junto com ela os sonhos de uma vida inteira. A menina queria conhecer o mundo e ser reconhecida por ele. Queria conhecer o mar. Se afogou em seus medos. Queria cantar verdades e dançar à luz do dia sem uma canção. Aquela menina queria viver, mas ouviu o impossível. Ela só queria ser. Não foi. 
 A menina já de cabelos desbotados, coluna torta, pele vincada e passos errantes não tem histórias para contar. Respirando fundo o cheiro da terra molhada, assiste a vida passar no vai e vem do balançar de sua cadeira, embora no seu íntimo, seus sonhos ainda respirem.

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