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[Resenha]: Faça seu pedido

I.S.B.N.: 9788565383738
Faixa Etária: Infanto-juvenil
Edição: 1 / 2013
Idioma: Português
Número de Paginas: 296
Editora: Gutenberg

 Há uns 10 anos não faço festa no dia do meu aniversário. Acho que a última que tive foi quando completei 8 anos - então são exatamente 11 anos sem uma festa de aniversário. Quando era criança esperava ansiosamente por esse dia e adorava (mais que a festa!) a fase dos preparativos, de fazer a lista de convidados, escolher o tema, a decoração, os convites, o bolo... Todavia, há tempos não curto mais. 
 Lembro que sempre depois do "parabéns pra você" assoprava as velinhas e esquecia totalmente de fazer um pedido. Para falar a verdade não acreditava muito que eles se realizariam. Uma vez passei o meu aniversário na casa da minha avó e na hora do "parabéns!", como sempre, assoprei as velas sem fazer pedido algum. Minha avó acendeu as velas de novo só para que eu fizesse o pedido. Nem lembro o que desejei! 
 Por que estou contando tudo isso? Porque é exatamente por culpa de um único pedido, feito em sua festa de 16 anos, que a vida de Kayla McHenry vira pelo avesso.
 Kayla sempre deixou bem claro para a sua mãe que NÃO queria uma festa no dia de seu aniversário. Ainda mais com aquela decoração, e aquele vestido, e aqueles convidados. Tanto rosa e um vestido "menininha" não tinham nada a ver com uma garota que usa um all star surrado e um moletom preto para onde quer que vá. No entanto sua mãe, uma produtora de eventos que respira o trabalho, não hesitou em elaborar a festa de 16 que sempre sonhou para a filha. Para Kayla aquela noite seria um pesadelo...
 Kayla nunca teve uma festa de aniversário tão entediante quanto aquela. Irritada com toda a situação, só querendo fugir dos olhares daquela multidão e se trancar na tranquilidade de seu quarto, na hora de soprar as velinhas, depois de muito sua mãe perturbá-la, foi enfática: "Eu desejo que todos os meus desejos de aniversário se tornem realidade. Porque eles nunca se realizam".
 Naquele momento Kayla não fazia a mínima ideia das consequências daquele desejo e de como ele tornaria sua vida numa loucura durante a próxima semana. 
 Quando acorda no dia seguinte vê um pônei cor-de-rosa correndo pelo jardim. Na outra manhã seu quarto está abarrotado de chicletes de bolinhas, e na outra ela é perseguida por um cara totalmente artificial, Ken (sim, o namorado da Barbie!). "Quando e por que que eu desejei isso?" é o que a menina se pergunta a cada pedido sem noção que se realiza. É claro que a jovem não se lembra de tudo o que desejara ao longo de todos esses anos - e muito menos de cada motivo - mas de um certo desejo ela jamais se esqueceria. Quando fez 15 anos desejou que Ben Mackenzie a beijasse. 
 Kayla é apaixonada por Ben há três anos, desde que o viu pela primeira vez. O que sentia ficou ainda mais forte quando ele começou a estudar em sua escola e a fazer parte de sua rotina.

"Em um dia normal, a gente troca pelo menos setenta e três palavras, o braço dele encosta no meu sete vezes, e o joelho dele entra em contato com o meu ao menos em três ocasiões. Ele olha no meu olho e sorri pelo menos uma vez, um sorriso que me garante em meio segundo que a gente formaria um casal perfeito." (página 23)

 Ganhar um beijo do cara por quem é perdidamente apaixonada seria maravilhoso, se não fosse pelo terrível fato dele ser agora o namorado de sua melhor - e única - amiga! 

"Talvez eu devesse achar irônico que a única razão pela qual não posso sair com ele é, na realidade, a única razão pela qual ele agora sabe quem eu sou." (página 23)

"Em outras palavras, não posso deixar que o namorado dela me beije por causa de um desejo maldito, embora pareça a ideia perfeita de paraíso para mim. Não se trai uma amiga como a Nicole." (página 109)

 Confesso que em alguns momentos da história senti raiva do pônei cor-de-rosa, do Ken e até da Boneca Trapinho, tadinha. Mesmo assim, defino "Faça seu pedido" como uma história leve, divertida e que tenta trasnmitir como às vezes, por culpa de um apanhado de situações que acontecem conosco, para "nos protegermos" nos trancamos em nosso próprio mundo e achamos todo o resto uma porcaria. Mudamos para pior. E então é preciso que alguém ou algo resgate aquele verdadeiro eu que ainda vive escondidinho dentro da gente, e os nossos sonhos empoeirados, e a vida que até então deixamos de viver. A história de Mandy Hubbard reforça o valor da família, da amizade e das pequenas coisas da vida, que para ser sincera, são as melhores.
 E ah... Cuidado com o que deseja, porque um dia pode se tornar realidade!
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