Humana, somente

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As pessoas nunca mudam, e quando digo nunca, é nunca mesmo. Não adianta dizer que "nunca" é uma palavra forte demais para ser usada em casos tão banais, pois saiba que é justamente por isso que eu a uso. Eu já passei por muitas fases e posso dizer que vivo em um constante processo de mutação, não mutação no seu pior sentido, digo, acredito que a vida é um constante fazer-se e desfazer-se e não ao contrário, que a vida é sempre mais um dos contantes processos de metamorfose existentes em cada sentido no vocabulário.
 Tanto fez e tanto fiz, serei eternamente julgada por manifestar-me, por viver cada parte importante do processo de mutação de qualquer ser humano. Daí eu posso comprovar a impossibilidade das pessoas em mudarem. Quando digo mutação, não me refiro a mudanças radicais e suas transformações, mas sim a determinados impactos que a vida nos causa, impactos que marcam cada fase que o ser humano precisa para sua vida compor. O que seria da vida sem fases? A vida continuaria sendo vida? A vida estaria realmente sendo vivida?
Pois saiba, preciso lhe contar um segredo: Você nunca mudou, eu nunca mudei, nós nunca mudamos e sempre fomos as mesmas pessoas. O que nos difere uns dos outros é apenas a liberdade em manifestar sentimentos que sempre vão ser temporários.

Apesar da minha caretice natural, não há do que eu me arrependa. Poetizei, encenei no teatrinho brega porém mágico da escola, paguei micos, brinquei no barro com os meninos da rua, pulei corda, rodei bambolê, acreditei em Papai Noel e Coelho da Páscoa até meus oito anos de idade, ganhava moedinhas da Fada dos Dentes, lutei Taekwondo, artes marciais e tinha tudo para ser uma atleta campeã algum dia, mas escolhi deixar tudo para trás, eu não quis ganhar, e sabe por quê? Porque eu não era feliz tendo que competir, não era o que eu amava, eu não queria ser atleta, eu não queria ser a melhor. Eu queria ser artista, eu queria compartilhar, eu queria dividir. E dane-se os quilos a mais que vieram com o sedentarismo de um artista que só pensa em educar sua audição, dane-se os pensamentos ridicularizadores e maldosos de pessoas que nunca saberão o que é viver uma vida de verdade, pessoas que nunca entenderão o que é manifestar-se através do próprio corpo, das vestes e de uma face elaborada. Pessoas que têm medo, medo de serem julgadas da mesma forma que elas julgam estarem convictas da vida alheia, da vida que tanto desejavam.

Madura como uma idosa abandonada em um asilo as traças e tão imatura como uma criança em seus cinco anos de idade. Na maior parte consciente, mas devo admitir, na menor, insana. Um pouco sonhadora, até cair por terra, dramaticamente indiferente, mas acima de tudo, humana, somente.

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