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Desabafos

Um excelente dia a todos.

               Antes de qualquer coisa, vou me apresentar em breves palavras: sou um homem que preserva os costumes antigos. Como por exemplo: cortejar, dar passeios românticos, sentar-se em algum lugar e tomar uma boa xícara de chá. Deitar sobre o gramado e admirar as estrelas. Sussurrar, todos os dias, o quanto eu amo a pessoa que estiver comigo. Por essa razão, vocês verão muito disso nos meus textos. Vou assiná-los com meu pseudônimo: E. H. Lewis
               Sou amigo dos meus personagens ao ponto de conversar com eles mentalmente (isso pode parecer loucura, mas pra quem realmente ama escrever, vai entender do que estou falando) Nesses últimos dias, vários personagens estão aparecendo na minha mente. E uma delas me chamou a atenção. O que vocês vão ler agora trata de um desabafo de uma menina com câncer na garganta. Foi a personagem que mais falou comigo nesses últimos dias. Espero que vocês gostem dela assim como eu também gostei. Segue o texto:

Título: Onde a luz e a sombra são fantasmas quietos.

               Nunca me importei com aparência. Afinal, ela se desgastará com o tempo. A pena refletida pelos olhos das pessoas que me incomoda — a maneira como sentem a obrigação de me ajudar; como olham no espelho e dão graças a Deus por serem sãs (não estou as julgando por fazerem isso, não me interpretem mal, por favor, apenas me machuca saber que elas se sentiram na obrigação de se olhar no espelho após me verem nesse estado e suspirar sussurrando: ainda bem que tenho saúde. Como se eu realmente precisasse disso). Mal sabem elas que a morte não faz distinção. 
               Eu não me importava com a vida.
               Não me importava com as pessoas que eu machucava. 
               Não me importava com as lágrimas que fiz minha mãe derramar. 
               Eu era popular: com lindos cabelos castanhos encaracolados, o rosto sempre maquiado, porém eu procurava a felicidade e não a encontrava. Procurava na bebida, nas drogas, nos meus amigos, principalmente, mas não adiantava. Parecia que a felicidade estava escondida em algum lugar de difícil aceso, e, de certa forma, estava sim. 
               Fui diagnosticada com câncer na garganta há alguns meses atrás. Quando recebi a notícia, levei alguns minutos para digerir as informações. Não respondi aos meus pais e subi para o meu quarto. Chegando lá, retirei minhas roupas e fiquei nua em frente ao espelho. Apalpei meus cabelos e a realidade bateu na minha porta dizendo: você vai perder seus cabelos, vai perder sua beleza. E isso foi o que mais me machucou.
               No outro dia, com a cabeça baixa, reuni meus amigos para dar a triste notícia (triste para mim, afinal, quem está morrendo com a droga desse câncer sou eu e não eles. Por isso, pouco importa...) Eles se olharam, perplexos, um deixou cair a bebida, outros continuaram a fumar. Lembro que vi a pena pela primeira vez...

Comentem, digam o que acharam do desabafo dessa pequena. Amanhã posto a continuação.
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