Pouco não é suficiente


Pouco não é suficiente para ninguém. Mas quantas e quantas vezes já nos acostumamos com poucas doses de amor, de solidariedade, de bondade? É por motivos disto, de nos acostumarmos com o pouco, que hoje o muito é tão surpreendente. Já reparou? Se um cara faz uma linda declaração de amor para a moça que ama lhe enviando rosas, caixas de chocolate, e pinta seu nome nas nuvens de fumaça, é exagero. Quer aparecer.

Mas será? 

Sou totalmente a favor da entrega, da doação sem reservas. Justamente por não querer pouca reciprocidade tenho o cuidado de dar meu melhor. Porque o pouco não me satisfaz, sabe? Nunca. Claro que essa entrega toda pode ferir. Intensidade demais adicionada aos sentimentos é algo perigoso. Um risco que muita gente prefere não assumir por medo de se machucar (isso explica tantos amores superficiais por aí). Mas imagina que louco seria se todo mundo amasse muito. Amasse de verdade. Se permitisse receber amor de uma forma abundante e retribuísse da mesma forma. Teríamos uma casa mais bonita para morar, não teríamos? Se isso é utopia demais pra você, bem, prefiro pensar que esse quadro ainda pode se tornar realidade um dia. Algum dia em que as pessoas irão dividir o pouco que tem com os que possuem menos ainda (amor é isso também).

Até porque pobre não é quem possui poucos bens materiais.
Pobre é quem ama pouco.

Algum dia em que o governo irá realmente atentar para os problemas sociais. Algum dia que as pessoas irão acolher as outras no mesmo guarda-chuva. Algum dia em que todo mundo dessa terra irá levar o amor a sério, que use essa palavra com integridade e que a sinta com veracidade também. Algum dia, algum dia, eu sonho com esse dia, e você? Sonha também?

ALVES, Ellen.


0 comentários