Clarice Lispector - um verdadeiro mistério


E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior do que eu mesma, e não me alcanço.
- Clarice Lispector

Sendo bem sincera, Clarice Lispector é um verdadeiro enigma para mim. Escritora favorita, já passei tardes e madrugadas debruçadas sobre suas obras com a ânsia de absorver o máximo possível - da mulher que tanto admiro. Costumo dizer que uma de suas principais características (se é que posso chamar assim) é a verdade na qual ela despeja sobre seus textos. Enquanto lia alguns de seus livros, senti como se a verdadeira Clarice estivesse ali, nua, crua, sincera, e em busca de si própria. Não é a toa que essa "figura" causa tanto perturbamento em meu interior. Clarice faz crescer em mim o desejo pelo mistério, assim como por descobri-lo. Me atenta para o que os outros não veem, não sentem, e me manda escrever sobre isso. Infelizmente penso que não cheguei a esse ápice, confesso, mas venho tentado, e creio que virá a valer a pena. Quem sabe.

Às vezes prefiro não admitir, mas anseio por toda a profundidade que Clarice revelou. A mesma que a silenciava repentinamente, que bloqueava sua inspiração. Mas que no momento certo causava nela um reviravolta imensa, capaz de enxergar o que está vivo bem lá dentro de nós, e não o percebemos! Lis veio para mostrar que a superfície é limitada. Todavia, há uma vida dentro de nós tão desorganizada que muitas vezes não ousamos descobri-la. Lis era cheia de segredos, mas se revelava em suas obras. E entendê-la não era algo sobre o qual se devesse buscar. De acordo com seus conselhos, deveríamos senti-la. Lis desprezava os rótulos e isso me causa em mim uma admiração imensurável! Não gostava de ser tida como escritora, porque não queria ter a obrigação de escrever. A escrita para ela era libertação, desabafo, descobrimento. Era desabrochar. Lis não se limitava ao real. Era muitas vezes extremamente subjetiva. Inalcançável. Ao mesmo tempo que era tão próxima de nós - por sentimento. Tinha os mesmos defeitos, as mesmas inseguranças, perguntas, lamentações, e poucas certezas.

Suas peculiaridades se encontrava em sua pertubação (se é que posso chamar assim) inexplicável, sua complexidade ao descrever sua bagunça interior, sua estranheza, seus enigmas revelados nas entrelinhas. De fato, Lis era um ser humano como qualquer outro, mas que não se conformava em apenas observar a vida, ela escrevia porque se não o fizesse, se sentiria morta. Escrever para ela era uma necessidade vital. A Clarice que escrevia, era a Clarice viva. E não adianta tanto trabalho da minha parte em buscar compreender toda essa complexidade. Por mais coisas que eu descubra sobre a autora, por mais detalhes que eu entenda, Lis sempre será um mistério. É questão de sentir, ou toca ou não toca.

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