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Nunca permiti que a dor me sufocasse. Mas sempre senti intensamente. Acredito que a dor precisa ser sentida mesmo, se não fosse assim não seria dor. Também vejo o sentir como uma benção. Se não sentíssemos, como saberíamos o gosto da alegria? E só vivêssemos apenas momentos felizes, como teríamos apreço por eles? Para mim, a vida é dividida em momentos, e todos eles são substanciais. 

Eu agradeço pela dor. Ela me faz perceber o que não anda bem dentro de mim. Me sacode pelos ombros, dá um tapa na minha cara, aperta meu peito, e aponta o que eu preciso fazer para sair da situação onde me encontro. Uma amiga uma vez me disse que a dor nos paralisa, e eu discordo. A dor nos movimenta. Nos enche de indignação, provoca lágrimas nos olhos, e nos mostra que você pode se libertar dali. Porque a dor não te prende, a escolha é sua se vai continuar em insistir em suas fraquezas ou vai buscar sua própria libertação. Confesso que às vezes escolho a dor à alegria. Em momentos dolorosos é que descubro a verdadeira essência da realidade que me cerca. Particularmente, eu me recuso criar tantas expectativas depois de tantos machucados. A dor me alerta para o real. Na vida nem tudo são flores. Viver nos braços da utopia é viver em busca de novos ferimentos.

É em momentos de dor que a glória se revela. Que a verdade me alcança. Que vejo o quanto sou forte. O que não farei no futuro. Quem são as pessoas verdadeiras que estão ao meu lado. É na dor que eu descubro o quanto posso ajudar os outros, o quanto a experiência nos ensina. É na dor que brotam as flores, é na dor que nasce a esperança de dias mais bonitos, assim como é única e exclusivamente na dor que eu desabrocho, cresço, amadureço. 

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